Guará (Chrysocyon brachyurus)


Página inicial

Bestiário


Nomes alternativos: guará, lobo-guará ou lobo-de-crina (português), aguará-guazu ou borochi (guarani), gwa’rá (tupi), loup à crinière (francês), Mähnenwolf (alemão), lobo de crin (espanhol), maned wolf (inglês).

Comprimento médio: 1,28 m (mais 35 cm de cauda). Altura média: 80 cm.

Massa média: 21 kg (-6½)

Hábitat: cerrados, campos e caatingas da América do Sul.

Inteligência Abstrata: -8; Inteligência Concreta: -4; Resistência: 0; Proteção: 0; Tamanho: 0; Saúde: +2; Mobilidade: +2; Sentidos: +4 (Olfato: +10; Audição: +4; Visão: -1, com visão noturna superior e deuteranopia); Dificuldade de treinamento: +3.

Habilidades: Força: 0; Combate: +1; Esquiva: +3; Salto: +4; Natação: +3; Furtividade: +5; Corrida: +15; Preparo Físico: +4; Caça: +2.

Manobras de combate: Morder (1 / 1½).


Características

 

O guará ou lobo-guará é de hábitos solitários. Noturno e crepuscular, repousa durante o dia em bosques espessos. Habita campos, cerrados e a caatinga de Rondônia e do Piauí ao Rio Grande do Sul e nordeste da Argentina, passando pelo Pantanal, Paraguai e Leste da Bolívia e margens da Floresta Atlântica na Bahia e Minas Gerais.

Tem as pernas muito altas e esguias, a cabeça alongada e as orelhas grandes, eretas e com o pavilhão aberto para diante. Sua cor geral é parda avermelhada, mais clara na região ventral e mais escurecida na dorsal. As patas são inteiramente negras. Parece-se mais com uma raposa de patas muito longas do que um lobo. Sua principal vocalização é um latido simples, que usa como chamado de longa distância; ameaçado, pode rosnar e os filhotes fazem pequenos gemidos. É um animal surpreendentemente arisco, furtivo e silencioso para o seu tamanho.

O comprimento das pernas facilita subir morros. Muito ágil, salta longe para apanhar a presa e consegue localizá-la de longe graças à sua altura. Como as pernas dianteiras são um pouco mais curtas que as traseiras, descer é mais difícil.

De pouca agressividade; as lutas entre os machos são raras e já se verificaram casos em que eles saem em socorro de um companheiro atacado. Quando ocorre o encontro de dois, mostram-se ameaçadores, evitam a briga e se chegarem a lutar, o que leva a desvantagem foge para não ser ferido.

A fruta-de-lobo (Solanum lycocarpum)

É um animal onívoro, que se alimenta de frutos (inclusive bananas e goiabas), raízes, bulbos, mel, cana-de-açúcar, tatus, pequenos mamíferos, aves, insetos e répteis, entre outros. Seu alimento mais importante, porém, é o fruto da lobeira ou fruta-do-lobo, Solanum lycocarpum, que parece um tomate e parece ser um vermífugo natural contra a parasitose renal provocada pelo nematóide Dioctophyna renale; na ausência do fruto, que chega a compor mais de 57% de sua alimentação. A fruta-de-lobo é comestível também para seres humanos, mas pouco apreciada.

Os guarás nadam muito à procura de alimentos. Precisam de 15 km em linha reta para sua sobrevivência; um casal ocupa um território de 300 km², mas só exploram efetivamente uma área de 30 km². Às vezes atacam galinhas, cordeiros e leitões, especialmente durante a estação reprodutiva, mas não atacam humanos, mesmo encurralados. Podem ser domesticados, o que ocorre freqüentemente na Argentina.

O lobo-guará é monogâmico, mas reúne-se em casais apenas durante o período de reprodução, que não costumam caçar ou dormir juntos. O cio ocorre entre outubro e março, exceto entre as fêmeas jovens, que podem ter filhos assim que atingem a maturidade, mesmo no meio do ano. O macho faz corte assídua à fêmea. Antes do acasalamento a fêmea cheira as fezes do macho e o rejeita se perceber qualquer anormalidade. O período de gestação é de 62 a 66 dias. A ninhada varia de 1 a 5 filhotes (média 2) que nascem pesando 340 a 410 gramas; o macho ajuda a criá-los com comida regurgitada. Ao nascerem, os lobinhos são negros, mas com 10 semanas sua pele já apresenta o avermelhado característico e com 15 semanas seu corpo já possui o tamanho de um lobo-guará adulto. Atinge a maturidade sexual com um ano; em cativeiro, vive até os 15 anos.


Espécies afins

 

Em 1927, um negociante de animais encontrou e comprou na Argentina uma pele que julgou ser de um animal semelhante ao guará, mas maior, de pelo mais espesso e mais escuro (preto e marrom-escuro) e com orelhas menores, que viveria nos Andes. Um zoólogo que a examinou na Alemanh julgou ter descoberto uma nova espécie, que chamou de “lobo andino”, Dasycyon hagenbecki. Outros zoólogos, porém, opinaram que se tratava de um cão doméstico atípico, provavelmente um híbrido de pastor alemão.

Supondo que seja um animal real, suas estatísticas seriam:

 

Comprimento médio: 1,50 m (mais 50 cm de cauda). Altura média: 80 cm.

Massa média: 35 kg (-4½)

Hábitat: cordilheira dos Andes.

Inteligência Abstrata: -8; Inteligência Concreta: -4; Resistência: 0; Proteção: 0; Tamanho: 0; Saúde: +2; Mobilidade: +2; Sentidos: +4 (Olfato: +10; Audição: +4; Visão: -1, com visão noturna superior e deuteranopia); Dificuldade de treinamento: +3.

Habilidades: Força: +2; Combate: +1; Esquiva: +3; Salto: +4; Natação: +3; Furtividade: +5; Corrida: +13; Preparo Físico: +4; Caça: +2.

Manobras de combate: Morder (1½ / 2).

 

Fora esse animal de existência duvidosa, o guará não tem parentesco próximo com nenhuma outra espécie conhecida. Entretanto, Há, porém, outros canídeos reais na América do Sul, conhecidos genericamente no Brasil como cachorros-do-mato e nos países hispano-americano como zorros (raposas):

Espécie

Localização

Descrição

Cachorro-vinagre ou Janauí

Speothos venaticus

América do Sul, da Colômbia com o Panamá até Santa Catarina.

Massa média: 7 kg (-11½). Altura: 35 cm. Comprimento: 0,75 m mais 15 cm de cauda. Resistência: -1; Força: -4. Mobilidade: +1½; Esquiva: 3½; Corrida: +10; Caça: +3; Natação: +10; Combate: +2; Morder: (0 / ½).

Seus dedos são ligados por uma membrana, o que o torna um hábil nadador e mergulhador. Esta afinidade com a água o torna conhecido no Peru como perro de agua. Também é conhecido, na Amazônia, como janauí ou janauíra e em países hispano-americanos, como perro grullero, yagua yvygui e zorro vinagre (devido a seu cheiro característico).

Já foi observado em matilhas de 10 a 12 animais, principalmente na Amazônia. Alimenta-se de crustáceos, cutias e pacas; em grupo, costumam caçar animais maiores, como capivaras e emas, nadando habilmente atrás das presas. Há três subespécies: S. venaticus venaticus, ruivo com barriga, cauda e patas escuras, encontrado na Amazônia, S. venaticus wingei, de cor mais clara, ruivo-amarelada, encontrado no sudeste do Brasil e S. venaticus panamensis, encontrado no Panamá e norte da Colômbia, menor (60 cm, cerca de 5 kg) e de cor clara.

Ativa durante o dia, a matilha abriga-se à noite em árvores ocas, debaixo de rochas ou em buracos abertos por grandes tatus. Após um ano de existência atinge a maturidade sexual. As fêmeas têm uma gestação de 67 dias, nascendo em média quatro filhotes, sendo que as ninhadas podem variar de um a seis. Os machos costumam trazer alimento para as fêmeas durante o período de amamentação. Vive até 10 anos em cativeiro.

Cachorro-do-mato

Cerdocyon thous

Da Colômbia ao Paraguai e no Uruguai, inclusive Brasil, exceto áreas baixas da bacia amazônica. Habita áreas florestais, cerrados, campos e áreas alteradas e habitadas pelo homem, como canaviais

Massa média: 6 kg (-12). Comprimento: 0,65 m, mais cauda de 30 cm. Resistência: -½; Força: -4, Mobilidade: +1½; Esquiva: +3½; Corrida: +10; Caça: +3; Combate: +2; Morder: (0 / ½).

 

Também chamado raposa-caranguejeira (crab-eating fox) e lobinho-do-mato. Alimenta-se de pequenas aves, frutas, insetos, crustáceos (caranguejos de rios), ovos e pequenos roedores. A gestação é de 52 a 59 dias; nascem de 3 a 6 filhotes com 120-160 gramas cada. "Canta" com um tom melodioso, como se estivesse chorando.

Cachorro-do-mato-de-orelha-curta

Atelocynus microtis

Floresta Amazônica, longe de habitação humana e perto de rios e córregos.

Massa média: 10 kg (-10). Comprimento: 0,85 m, mais cauda de 30 cm. Altura: 25 cm. Resistência: -½; Força: -3. Mobilidade: +½; Esquiva: 3½; Corrida: 8; Caça: +4; Combate: +2; Morder: (0 / ½).

Alimenta-se principalmente de peixes e caranguejos, mas também insetos, pequenos mamíferos, frutas, pássaros, rãs e répteis. Furtivos como gatos, são dóceis, solitários e de hábitos noturnos. Têm ninhadas pequenas.

Graxaim

Pseudalopex gymnocercus

Cerrados, pampas e estepes semi-áridas da Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, sul do Brasil e costa do Peru.

Massa média: 4 kg (-14). Comprimento: 0,62 m, mais cauda de 34 cm. Altura: 40 cm. Força: -5. Resistência: -1. Mobilidade: +1½; Esquiva: +4; Corrida: 10; Caça: +4;. Morder (0 / ½).

 

O nome graxaim vem do tupi guará-xaim (lobo crespo). Também é conhecido como raposa (ou zorro) do pampa e raposa (ou zorro) do campo. Ativo à noite e no crepúsculo, alimenta-se de pequenos mamíferos, aves, anfíbios, camarões, lagartos e vegetais (inclusive de plantações) e às vezes come carniça. Caçado por cauda das peles, que têm valor. Às vezes entra nas casas para roubar galinhas, comer melões etc. . Abriga-se em tocas e forma casais na estação de reprodução (agosto a setembro). A gestação é de 2 meses e nascem 3 a 6 filhotes. Vivem 13 anos em cativeiro.

Jaguapitanga

Pseudalopex vetulus

Cerrados de Mato Grosso e Minas Gerais

Massa média: 3 kg (-15). Comprimento: 0,60 m, mais cauda de 30 cm. Força: -6. Resistência: -1. Mobilidade: +1½; Esquiva: +4; Corrida: 10; Caça: +3;. Morder (0 / 0).

 

Conhecido no Brasil como raposinha, cachorro de dentes pequenos ou jaguapitanga e em inglês como hoary fox (raposa grisalha). Ativo durante o dia, é basicamente insetívoro (principalmente térmitas e gafanhotos) e tem dentes muito pequenos, mas também caça roedores. Faz suas tocas em cupinzeiros e buracos de tatu. A gestação é de 2 meses e nascem 2 a 4 filhotes. Alguns o classificam como outro gênero, Lycalopex vetulus.

Culpeo

Pseudalopex culpaeus

Pampas e florestas ao longo do Pacífico, da costa do Equador ao sul do Chile e também Terra do Fogo e sul da Patagônia, Argentina

Massa média: regiões frias: 12 kg (-9); regiões subtropicais: 6 kg (-12). Comprimento: regiões frias: 0,90 m, mais cauda de 40 cm; regiões subtropicais: 0,70 m mais cauda de 30 cm. Altura: regiões frias: 45 cm; regiões subtropicais: 35 cm. Resistência: -½; Força: regiões frias: -2; regiões subtropicais: -4. Mobilidade: regiões frias +1; regiões subtropicais +1½; Esquiva: 3½; Corrida: +10; Caça: +4; Combate: +2; Morder: (½ / 1)

Também chamado zorro colorado (Argentina), zorro culpeo, zorro rojo (Chile), zorro grande e lare. Alimenta-se principalmente de roedores e lebres e alguns vegetais, mas às vezes ataca cordeiros recém-nascidos. Cruzam de agosto a outubro e depois da gestação de 55 a 60 dias, nascem 2 a 5 filhotes, em uma toca entre rochas. No outono (abril-junho), ou seja, aos seis meses, já são sexualmente maduros. Em liberdade, vivem em média menos de dois anos. É caçado por sua pele. Foi domesticado e usado como cão de caça pelos índios yaghans, da Terra do Fogo.

Raposa cinzenta

Pseudalopex griseus

Planícies, pampas, desertos e montanhas do Chile e Argentina.

Massa média: 4 kg (-14). Comprimento: 0,53 m, mais cauda de 33 cm. Altura: 43 cm. Força: -4. Resistência: -1. Mobilidade: +1½; Esquiva: +4; Corrida: 10; Caça: +4;. Morder (0 / ½).

 

Alimenta-se principalmente de roedores (cerca de 90%), bagas (menos de 10%, mas até 33% no outono), coelhos e pássaros (3%). Gestação de 53 a 58 dias, 2 a 4 filhotes, maturidade sexual aos 12 meses. Intensamente caçada por sua pele.

 

Raposa de Darwin

Pseudalopex fulvipes

Florestas temperadas do sul do Chile e ilha de Chiloé

Massa média: 3 kg (-15). Comprimento: 0,60 m, mais cauda de 30 cm. Altura: 23 cm. Força: -5. Resistência: -1. Mobilidade: +½; Esquiva: +3½; Corrida: 6; Caça: +3;. Morder (0 / ½).

 

Alimenta-se de pequenos mamíferos, pássaros, besouros, répteis, anfíbios e frutos.

 

Raposa de Sechura

Pseudalopex sechurae

Campos, desertos e zonas semi-áridas do sul do Equador e norte do Peru

Massa média: 3 kg (-15). Comprimento: 0,56 m, mais cauda de 25 cm.. Força: -5. Resistência: -1. Mobilidade: +½; Esquiva: +3½; Corrida: 6; Caça: +3;. Morder (0 / ½).

 

É noturna, alimenta-se de vagens e besouros no inverno, roedores e pássaros em outras épocas e de carniça ao longo das praias. Não necessita beber água; sustenta-se de orvalho.

Warrah

Dusicyon australis

Ilhas Malvinas ou Falklands

Massa média: 15 kg. Altura: 60 cm. Comprimento: 1,00 m, mais cauda de 35 cm. Força: -1; Mobilidade: +1½; Esquiva: 3½; Corrida: +12; Caça: +2; Combate: 0; Morder: (½ / 1).

 

Também conhecido como Lobo das Falklands ou Raposa das Malvinas. Embora o nome inglês warrah seja uma corruptela do tupi guará, esse lobo-raposa não tinha parentesco próximo com o guará do continente. Vivia apenas nas ilhas Malvinas e presumivelmente alimentava-se principalmente de aves marinhas. Os criadores, porém, atribuíram-lhes a perda de cordeiros (mais provavelmente caçados por cães vagabundos) e o caçaram até a extinção em 1876. O nome científico Dusicyon significa “cão bobo”, porque não mostrava medo do homem e era facilmente capturado.


Folclore e mitos

Embora o guará seja inofensivo, influenciou a imagem do lobisomem no Brasil, descrito como um bicho grande, do tamanho de um bezerro, com imensas orelhas e pelo espesso e vermelho. Segundo a tradição brasileira, o lobisomem é o filho que nasceu depois de uma série de sete filhas, ou o sétimo de uma série de sete filhos.


O Brasil dos outros 500

No Brasil dos outros 500, os guarás e demais cachorros-do-mato têm distribuição semelhante ao do mundo real.


Atlântida

No universo de Atlântida, os guarás e cachorros-do-mato são encontrados no Continente Ocidental.


Solidariedade Galáctica

No Universo da Solidariedade Galáctica, os guarás e cachorros-do-mato continuam a existir com a mesma distribuição do Brasil dos outros 500.